A creatinina é um metabólito que circula pelo sangue e serve como marcador para o funcionamento dos rins.
Ela provém da creatina, que é uma substância produzida pela nossa musculatura, transforma-se em creatinina e deve ser eliminada pelos rins quando esses funcionam normalmente.
Medir os índices de creatinina no sangue é uma maneira simples e eficaz de saber se os rins estão funcionando normalmente. É um exame realizado nos mesmos moldes dos testes de glicose e de tantos outros exames de sangue muito comuns.
O exame da creatinina identifica a possibilidade de uma pessoa desenvolver alguma deficiência nos rins, mesmo antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Não há necessidade de consultar nenhum especialista em doenças renais para realizar esse exame. Qualquer medico pode solicita-lo e você tem o direito de saber o valor da sua creatinina, porque ela significa o grau de funcionamento de um órgão vital para a saúde (os valores normais variam de 0,4 a 1,4, dependendo da massa muscular).
Fatos e números
A prevalência da doença renal crônica vem aumentando, causando um impacto social muito importante, e hoje é considerada um problema de saúde publica, sendo intitulada a “epidemia do novo milênio”.
O mundo inteiro está envolvido e consciente com a prevenção de doenças renais. A NKF, ou Fundação Nacional do Rim, entidade em funcionamento nos Estados Unidos há muitos anos, responsável pela prevenção de doenças renais, criou o Dia Mundial do Rim, celebrado pela primeira vez em 9 de março de 2006. A importância desse evento foi tão grande que a famosa Nasdaq, a bolsa de valores americana, convidou o presidente da NKF para tocar o tradicional sino de encerramento do pregão, um ato que procura chamar atenção do mundo para fatos importantes, ocasião em que foi propagada a necessidade de prevenção devido ao alto custo do tratamento dessa doença, de caráter irreversível.
No Brasil, desde 2003 existe a Semana da Nefrologia, quando se procura, em todo País, alertar a população para a importância da prevenção.
Essa preocupação mundial não é em vão. Alguns fatos importantes devem ser divulgados:
Por causa de campanhas de prevenção, vacinação em massa e aperfeiçoamento dos antibióticos, mortes por doenças infecciosas declinarão em torno de 5% na próxima década, enquanto mortes por doenças crônicas aumentarão 17% se não for tomada nenhuma atitude drástica de prevenção.
O tratamento de doenças crônicas em geral – e aí incluem-se as doenças renais – já consome 80% do orçamento na área de saúde e representa uma ameaça para a saúde pública no Brasil e no mundo.
No que tange especificamente aos rins é importante ter em mente que mais de 1 milhão de pessoas sofrem de problemas renais crônicos e 70% não sabem disso. É alarmante mas justificável, porque na maioria das vezes as doenças crônicas dos rins não apresentam sintomas até que a função renal esteja definitiva e irreversivelmente comprometida, sendo necessário o tratamento pela diálise.
Sessenta mil brasileiros fazem hemodiálise hoje e existe uma perspectiva de entrada em programa de 25 mil doentes renais crônicos por ano. Hoje os gastos com esse tratamento no Brasil consomem R$ 1,4 bilhão por ano.
Hipertensão arterial e diabete mellitus afetam 34 milhões de brasileiros e 10% são doentes renais crônicos. Muitos deles evoluirão para tratamento de diálise.
No mundo, cerca de 600 milhões de pessoas têm algum tipo de doença renal. Considerando uma população mundial de 6 bilhões pode-se dizer que 10% da população sofre de algum problema renal.
No Brasil, dados do INSS mostram que 45% das aposentadorias precoces são causadas por doenças crônicas, incluindo as doenças renais.
O principal argumento
Por séculos, toda a Medicina era voltada para tratar doenças. Com a pesquisa, surgiram medicamentos revolucionários e técnicas cirúrgicas complexas. A qualidade de vida melhorou, mas percebeu-se que o mal só poderia ser combatido de forma eficaz se fosse atacado precocemente. Em razão dessa mudança conceitual nos últimos anos, um dos campos que mais crescem dentro da Medicina é o da prevenção.
Os americanos, sempre fiéis às estatísticas – com toda razão, porque elas dizem a verdade –, concluíram que para cada dólar aplicado em prevenção são poupados 7 em tratamento futuro.
Em relação às doenças renais, há muito que fazer se o mal for descoberto precocemente, tentando-se evitar a falência total dos órgãos no caso de ser detectado já numa fase avançada.
Mas o principal argumento para a prevenção não são números e fatos citados acima. Também não é o fato de que um dia seus rins poderão falhar totalmente , você terá que fazer diálise e ficar à espera de um transplante. Não é isso, porque afinal hoje a diálise é um tratamento seguro que tem como finalidade manter o paciente com uma excelente qualidade de vida. A maioria dos pacientes que faz diálise está muito bem e muitos trabalham.
O maior argumento para a prevenção de doenças renais é que elas representam uma janela precoce para saber como está nossa circulação em todo corpo. Se os rins não estão funcionando bem outros órgãos em futuro próximo também não irão funcionar adequadamente. Prevenindo doenças renais estaremos prevenindo também um acidente vascular cerebral (derrame, trombose ou isquemia) ou um infarto agudo do coração.
Prevenir doenças renais é prevenir hipertensão arterial e vice-versa porque pressão alta pode ser a causa ou conseqüência da doença nos rins. Uma pessoa aparentemente saudável, na qual é detectada doença renal crônica, tem um risco dez vezes maior de morrer prematuramente de doença cardiovascular. Percebe-se então que está tudo interligado porque são todas doenças que comprometem o sistema vascular.
E se você for diabético, hipertenso ou tiver história de doença renal na família, o acompanhamento da função dos rins é imperioso.
Então, não vacile. Existe uma recomendação da Organização Mundial da Saúde para prevenção de doenças renais como primeiro passo para atingir a meta proposta de reduzir em 2% ao ano as mortes por doenças crônicas. Siga essa recomendação. Converse com seu médico sobre prevenção de doenças renais.